LEITURA DE FIM-DE-SEMANA ou APRENDER, APRENDER SEMPRE

Posted in cycle of sighns with tags on 19/12/2009 by Il Gladiatore

A VIDA NUM ANO E NUMA BICICLETA

Posted in cycle of sighns with tags on 16/12/2009 by Il Gladiatore

ENTRE O QUERER E O PODER

Posted in cycle of sighns with tags on 06/11/2009 by Il Gladiatore

O papel que o senhor Penalosa teve em Bogotá e a importância do seu legado é enorme. Num continente em que as questões da mobilidade ainda eram, e são, menos valorizadas que na Europa, Bogotá provou que é possível fazer muito com pouco.

Curitiba_PublicTransportMas Bogotá e Penalosa beberam muito na experiência pioneira de Curitiba, Brasil, e nas ideias de Ivo Arzua e depois na acção de Jaime Lerner. O Plano Director de Curitiba e o Sistema Trinário de Transporte fundaram o que viria a ser um exemplo seguido em cidades de toda a América.

Na actualidade existe um senhor arquitecto que lidera um grupo de trabalho presente nas urbes mais revolucionárias em matéria de cidades para as pessoas: Jan Gehl. Com intervenções que atravessam os seis continentes, aponta os erros acumulados por décadas de decisões erradas, mas sobretudo projecta soluções integradas, simples e eficazes.

No nosso país, nas nossas Universidades, nos nossos gabinetes de arquitectura há seguramente muitos bons técnicos. Pessoas que por méritos vários já provaram serem capazes de transformar para melhor muito do nosso país.

Há também muita pequenez de espírito. Muito caciquismo, muito sobranceirismo e snobismo. E pouca humildade para reconhecer que todos temos uma palavra a dizer. Para não falar nos interesses instalados, tantas fezes de face pouco oculta…

No fundo, a diferença de pessoas como Penalosa, Lerner e Gehl não é a obra, mas a capacidade que têm de estudar, interpretar e influenciar. Por isso ficam para a história, não porque querem, mas porque podem!

BICICLETA À MESA

Posted in cycle of sighns with tags on 04/11/2009 by Il Gladiatore

Há pessoas que às vezes mais valia estarem caladas, ou pelo menos medirem um pouquinho melhor a forma como argumentam os seus pontos de vista. Mesmo quando o que dizem faz sentido e está cheio de razão.

Se há coisa que a discussão da mobilidade não necessita nada é de guerras partidárias. Muitas das cidades que encaram de frente este tipo de problemas e os enfrentam de forma construtiva são geridas por autênticos outsiders dentro dos seus próprios partidos.

cycling chefVem isto a propósito do sal na sopa. Quando nos propomos a fazer um cozido -para manter a conversa numa plano gastronómico- há algumas coisas que temos de ter em mente se não pensamos em comê-lo sozinhos.

Para começar, não somos decididamente a primeira pessoa a fazer cozido. Depois, e muito provavelmente, quem se sentar à mesa connosco já terá comido de outros cozidos. Mais, pode até ser que faça cozidos também. Além de que existem umas quantas maneiras de fazer cozido e se queremos melhorar os nossos dotes na cozinha é bom que estejamos abertos à crítica dos comensais.

Paris, cidade conhecida, entre outras quantas bagatelas, pela excelência dos manjares e pela Velib’. Capital onde, antes da introdução desta última, e enquanto o sistema era experimentado em Lyon, investiu na solução de alguns problemas de trânsito e mobilidade.

Foram pequenas coisas: estacionamento regulado; vastas zonas com 30km/h de velocidade máxima; passeios dignos desse nome e, embora isto não importe nada, um sistema de transportes colectivos integrados e eficientes.

O link que aqui fica, é dum filme sobre o actual nível da actual discussão parisiense que, aposto, também tem lugar à mesa. Embora tenha sido filmado por gente das terras do fast-food, a verdade é que estão ávidos de bons exemplos e andam por aí a beber tudo!

Espero que vos abra o apetite e estimule uns certos candidatos a chef!

COMBOIOS A PONTOS

Posted in cycle of sighns with tags on 02/11/2009 by Il Gladiatore

A petrolífera nacional propõe que troquemos os pontos obtidos com a compra dos seus produtos por bilhetes de comboio. Imaginem!

Uma empresa que vive de nos vender o produto que tantas guerras tem causado no mundo, que gere a economia e digere as nossas economias, quer que deixemos o carro em casa e tomemos o comboio?

galpConvenhamos que isso é um pouco estranho. Vejamos: temos o cartão cheio de pontos porque os acumulámos a encher e depósito do carro com combustível; vamos a um posto e trocamos os pontos por viagens de comboio; tomamos-lhe o gosto e continuamos a andar de comboio mesmo depois dos pontos acabarem.

Como é que lhes fica o negócio? Então mas eles não vivem de carregar-nos os cartões de pontos e de esvaziar-nos os bolsos de sonhos? Então mas as filas intermináveis a que se sujeita diariamente grande parte da população que ainda vai tendo emprego, não são o garante do negócio destes senhores?

Só falta daqui nada a GALP estar a investir em transportes suburbanos de qualidade, eficazes e eficientes, que consigam mover o pêndulo da massa humana a caminho do ganha-pão sem precisão da lata individual.

E com os pontos por junto conseguidos ao fim do ano no passe da CP, ainda nos oferecem uma bicicleta! Ele há coisas…

SERÁ QUE VAI CHOVER?

Posted in cycle to work with tags on 29/10/2009 by Il Gladiatore

bikeRainA próxima quarta-feira está já aí à porta e o Outono ameaça novamente entrar por ela dentro, pela porta e pela quarta-feira, e como no último SIC by BIKE day o risco de chuva afastou muito boa gente do caminho do bem, vamos, antes que se faça tarde, dizer à gente como se pode bem preparar para o caminho.

Com alguma informação positiva e os adereços essenciais, pedalar numa quarta-feira de chuva é tão fácil e, quem sabe mais prazenteiro que numa quarta-feira de sol radioso e quente.

Como ao pedalar aquecemos mais depressa, convém que usemos roupa respirável, que não acumule a humidade da transpiração. Contrariamente à ideia geral, o algodão não é muito eficaz nessa tarefa, ao contrário da lã que deixa o corpo respirar melhor.

As fibras sintéticas têm aqui grande vantagem, mas o importante é que usemos camadas finas que possamos tirar ou voltar a vestir no caso do tempo variar ao longo do percurso.

Um anoraque leve e que se dobre é uma boa peça para enfiar na mochila ou no alforge. Se for de cor clara tanto melhor e melhor ainda se for dos que têm umas tiras fluorescentes nas mangas e nas costas. Dar nas vistas na estrada, particularmente quando o céu se cobre a prometer chuva, é um seguro extra.

bicycle-in-the-rainAté à próxima quarta, e para evitar surpresas, dê umas voltas lá pelo bairro ao lusco-fusco e mesmo de noite, para se habituar e confirmar como a noite é boa conselheira também a pedalar.

Na terça anterior, leve uns sapatos para a SIC e deixe-os na gaveta. Assim vai ter sempre o que calçar na quarta e não carregou peso extra na viagem. Calce umas meias quentes e use luvas porque pés e mãos quentes fazem toda a diferença!

Com o piso estiver molhado tenha cuidado reforçado na estrada. É muito importante que adapte a condução ao estado do piso e verifique os travões -onde é que eu já ouvi isto?

Se alguma das viagem for de noite, é essencial que monte luzes na bicicleta, de preferência alimentadas por dinamo, mas o mais provável é que arranje umas a pilhas. Ao menos que sejam recarregáveis. A luz de frente é tão importante com a de trás, pois a sua função é tornar-nos visíveis. Uma excelente solução para nos tornar também vistosos é o colete auto.

Mesmo quando chove, vem mais água do chão que do céu, pelo que um par de guarda-lamas ajuda e muito a manter-nos secos. Se a sua bicicleta não tem, está aqui uma boa oportunidade para passar a ter.

Por último, pare a sua bicicleta longe da chuva para que continue a funcionar bem. Se isso não for possível, um saco de plástico manterá o selim seco até à hora de regressar.

Depois de todo este investimento existem mais umas quantas razões para não se ficar apenas pelas quartas-feiras…

… lembrem-se o que custa é começar!BikeRain-main_Full

O QUE FAZER COM ESTE U

Posted in cycle of sighns with tags on 25/10/2009 by Il Gladiatore

A Câmara Municipal de Lisboa retirou um parque que havia instalado mesmo em frente a uma loja de bicicletas perto da Praça do Município e no seu lugar pintou um para, imagine-se… motos!incongruências

Antes existia um estacionamento de bicicletas em U como outros que foram instalados em diferentes pontos da cidade. Agora há uma caixa pintada de amarelo, delimitada por pinos para uso exclusivo dos motociclos. Ao lado foi reservado um espaço para as máquinas sem motor, mas já sem direito a UU o que faz com que esteja sempre ocupado pelas vizinhas mais fortes.

Em conversa informal com um elemento da gestão do trânsito lisboeta, fiquei a saber que houve necessidade de encontrar espaço para as motos, que o parque de bicicletas não era usado e que outras lojas em Lisboa pediram para que lhes fosse montado uma parque à porta também.

Em vez de se encontrar um lugar para as motos no estacionamento para carros, até porque há um parque subterrâneo mesmo ali ao lado, ou elaborar um plano que disponibilizasse bike-racks onde isso fosse possível e se justificasse, em vez de privilegiar a inovação e o propalado investimento na bicicleta, a prática é demonstrativa do longo caminho que ainda têm de percorrer certas mentalidades.

Infelizmente a loja não vende motos, porque já lá entraram interessados cidadãos nesse ramo de actividade. Desculpem os mais sensíveis porque apesar deste blog tentar, até à exaustão, manter-se longe de interesses comerciais não publicitando produtos, marcas e lojas, neste caso a notícia fala mais alto.

Já agora, e para dar uma ideia de como podem as coisas ser diferentes, em Manhatan, por ideia do David Byrne, foi lançado um concurso para bike-racks. David ficou tão entusiasmado com a ideia que desenhou umas quantas, mas como não podia concorrer, as suas foram feitas extra concurso e montadas nos lugares que serviram de inspiração à sua concepção. Segue o vídeo feito pelo The Wall Street Journal online.

A SEGURANÇA É UM DIREITO

Posted in cycle of sighns with tags on 22/10/2009 by Il Gladiatore

Vem este texto a propósito de duas reportagens do NÓS POR CÁ da SIC. A questão do seguro de responsabilidade civil para quem circula de bicicleta chegou às parangonas e, como seria de esperar, não  foi por boas razões, infelizmente também não da melhor maneira. Por favor, pause a leitura agora e, para perceber o porquê, veja as peças aqui.

Todos nós, utilizadores das vias públicas nas diversas qualidades, como condutores de veículos a motor, a pedais ou carrinhos de bebé, peões a caminho do trabalho ou acompanhantes de animais domésticos, temos responsabilidades e podemos ter de responder por elas em caso de algo correr fora da dita normalidade.

umbrellaPela lei da probabilidade, quem conduz uma máquina com algumas dezenas de cavalos de potência, mesmo que o faça dentro das velocidades permitidas, corre riscos de, em caso de acidente, provocar maiores danos que alguém que circule por seu próprio pé. Ainda que o acidente não seja falta sua.

A mesma lei dirá que uma desatenção pode levar um peão a tropeçar no guarda chuva doutro peão, cair para a estrada e um carro, ao desviar-se, entrar por uma mercearia cheia de clientes. De quem seria a responsabilidade? Que seguros se teria que accionar?

O ciclista que alegadamente provocou o acidente referido na reportagem é responsabilizável pelos factos prováveis e apenas se provados. E existem autoridades para investigarem e autoridades para julgarem. Se as autoridades legítimas a quem compete derrimir litígios entre cidadãos são lentas ou até inoperantes, isso não é razão para obrigar todos os que saem à rua com receio duma carga de água a fazerem um seguro ao seu guarda chuva.

Pela segunda reportagem ficamos a saber que “apenas” dezasseis mil cidadãos fizeram de forma voluntária um seguro junto da federação de cicloturismo. Mas 16 mil não são poucos! Dezasseis mil ciclistas é muita bicicleta. A repórter falou com ciclistas e não encontrou nenhum desses miles, arrisco a dizer que se calhar não procurou no sítio certo. Tenho para mim que custa compreender a diferença entre dar umas pedaladas no Guincho e pedalar como meio de transporte. Da mesma forma que é diferente ir para Évora andar de kart e conduzir um táxi no meio do trânsito da cidade.

Circular de forma segura é um direito de todos. Ao Estado compete criar essas mesmas condições de segurança. Seja pela construção, ou adaptação das infraestruturas  necessárias para as nossas deslocações, seja pela legislação que proteja os mais vulneráveis contribuindo dessa forma para a segurança de todos e duma maneira equitativa. Por exemplo na Alemanha as ciclovias são estruturantes na rede viária e o código de estrada tira aos automóveis a prioridade para as bicicletas, da mesma forma que os biciclos a perdem sempre para os peões.

Enviar mais clientes para as seguradoras não resolve o problema, quanto muito pode facilitar de forma circunstancial a vida a alguns eventuais lesados. A segurança dos ciclocidadãos, e dos outros todos, tem de ser encarada de forma integrada, estrutural e de preferência longe dos interesses comerciais.

O PRINCÍPIO DO COMEÇO

Posted in cycle of sighns with tags on 17/10/2009 by Il Gladiatore

Findas as campanhas eleitorais, deitados nos contentores azuis os panfletos coloridos e cheios de amanhãs solarengos, arrumadas na memória esquecida as promessas repetidas, a vida retoma o seu dia-a-dia ritmado e metódico, qual cadência da pedalada numa bicicleta velha, enferrujada e desafinada.

A última eleição reorganizou o poder mais democrático de todos, o poder autárquico. Mais democrático porque mais curtas são as distâncias entre os que votam e os votados, tendo os segundos feito das questões da mobilidade assunto charneira das suas propostas apresentadas aos primeiros. Mesmo que por vezes a viragem tenha sido anunciada timidamente, as diferentes campanhas valeram-se de túneis, ciclovias e saca-rolhas para conseguir o nosso voto.

O transporte pendular das populações espalhadas por Portugal está, como em poucos países, dependente principalmente do transporte particular, ou seja do carro. Na área metropolitana de Lisboa a situação vivida diária e infernalmente por centenas de milhar de pessoas é insustentável e a solução não passará infelizmente apenas pelo recurso à bicicleta.

Mais que o cumprir de promessas, algumas avulsas quando não mesmo contraditórias, torna-se imperioso que os agora eleitos assumam a responsabilidade dum projecto moderno e sustentável. É urgente que as várias Câmaras da AML coincidam em políticas integradas de mobilidade. Isto dito assim parece um chavão. E é. Mas há que ter esperança que nos vários elencos camarários exista coragem política e massa crítica suficientes para cortar com este caminho de asfalto que nos trouxe a um beco sem saída.

grandola2Por aqui se anunciou, e se mostra agora, que a CDU de Grândola promoveu uma caravana de bicicleta. Cerca de quarenta pedalantes percorreram outros tantos quilómetros e pelo resultado da corrida se percebe que não os bastantes para chegarem à meta das urnas em primeiro lugar, mas ficou o pioneirismo da iniciativa. Nem sempre as melhores ideias obtêm o fins a que se propõem. O povo tem sempre razão.

Quatro anos é tempo que chegue para os autarcas mostrarem trabalho, definirem opções, realizarem obra. Em dois anos conseguirão, por exemplo, provar aos comerciantes que valeu a pena suportar a empreitada, calando o cepticismo mais militante. Olímpica tarefa a de pôr o engenho ao serviço da arte de fazer bem, que é como quem diz limpar e olear a bicicleta, ajustar os travões, substituir a corrente, trocar os pneus carecas. Haja vontade que a chegada valerá bem a viagem!

O NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER

Posted in cycle to work with tags on 14/10/2009 by Il Gladiatore

O segundo inquérito que aqui foi proposto mostrou que a instalação de cacifos na SIC seria o melhor incentivo ao uso da bicicleta. Metade das respostas coincidiram na necessidade de serem criados espaços onde se possa guardar o kit de higiene, uma toalha e um par de chinelos, o mínimo para quem pretende ficar como novo depois do esforço a pedalar. A outra metade das respostas dividiu-se equitativamente entre a existência de um parque de bicicletas e pelo financiamento à compra das bicicletas.

<i>The Villager</i>, bike rack by David Byrne in NYC

The Villager bike rack by David Byrne in NYC

Os parques de bicicletas são cada vez mais frequentes na paisagem urbana. Um pouco por todo o lado, por iniciativa pública ou por decisão privada, há já um considerável número de espaços onde se pode deixar a bicla mais ou menos segura, sem necessidade de recorrer ao poste do sinal. Nem sempre o tipo de estrutura ou o lugar onde é instalada é o mais eficiente, mas estamos ainda no início do regresso da bicicleta e admitamos que o método de tentativa e erro é muito apreciado sempre que se trata de intervenções no espaço público.

Recentemente o Partido Ecologista Os Verdes tentou que a Assembleia legislasse deduções sobre despesas com bicicletas. Se as empresas puderem participar em esquemas fiscais que facilitem aos seus funcionários a aquisição de bicicletas, passarão a envolver-se activamente na mobilidade sustentável. Medidas desde tipo são ainda vistas com muitas reservas, com mostra o resultado da iniciativa parlamentar, há no entanto a esperança que as empresas encontrem maneiras próprias de acompanharem os tempos de mudança. Parcerias comerciais ou financiamentos próprios são algumas das soluções que as empresas  podem adoptar e assim corresponderem à vontade de um quarto das respostas ao inquérito.

A existência de um lugar seguro onde guardar alguns pertences pessoais era comum em muitas empresas. Na tentativa de “racionalizar” espaço, os cacifos e outras amenities foram sendo abolidas. Depois de alguns anos sem acesso a instalações sanitárias completas, os funcionários da SIC viram essa lacuna colmatada. Esse pequeno esforço da empresa foi muito importante na mobilidade de alguns dos seus trabalhadores. E deu um sinal positivo para dentro e fora da empresa.

Menos de trinta pessoas responderam ao inquérito, o que significa que outros tantos cacifos reduziriam as desculpas dos ainda renitentes. Aqui fica o desafio!